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Destaque Cultural


 

  DUZENTOS ANOS DA CHEGADA DA FAMÍLIA REAL AO BRASIL

Uma das principais datas comemorativas deste ano são os 200 anos da vinda da família real ao Brasil, que chegou ao Rio de Janeiro no início de março de 1808. Esse fato é muito importante para o país, já que com a corte portuguesa em nosso território tornamo-nos o centro do Império Luso-Americano.

Durante muito tempo a vinda da família real para o Brasil foi analisada como uma fuga não premeditada pelo príncipe-regente português, D. João, que teria fugido da invasão de Napoleão Bonaparte a Portugal. Porém, hoje se sabe que foi uma estratégia política de Portugal, com o apoio da Inglaterra, mudar a sede do reino português para a sua principal colônia na América, o Brasil.

Mas por que Napoleão Bonaparte ameaçou a invadir Portugal? No início do século XIX Napoleão controlava grande parte da Europa, a partir de sua proposta expansionista para a França. Para conseguir dominar a Inglaterra e garantir o consumo de produtos franceses em território europeu, impôs em 1806 o Bloqueio Continental. Assim, todas as nações deveriam fechar os seus portos à entrada de produtos ingleses. Nesse contexto, Portugal não podia aderir ao Bloqueio, pois os ingleses eram seus principais parceiros econômicos. Por isso, para não ficar sob a influência de Napoleão, a saída encontrada pelo governo português foi a transferência da corte para o Brasil, contrariando os interesses do imperador francês.

Em novembro de 1807 cerca de 15 mil pessoas da aristocracia portuguesa dirigiram-se para o Brasil na companhia da família real. Não apenas veio para o Brasil a corte, mas D. João também trouxe consigo todo o tesouro português. A viagem foi bastante difícil; a comida precisou ser racionada, não havia lugar para que todos fossem bem acomodados nos navios, além da falta de higiene que acabou por ser responsável por uma epidemia de piolho.

Em janeiro de 1808 a família real chegou ao solo brasileiro. Dom João, inicialmente aportou em Salvador, Bahia, e depois seguiu para o Rio de Janeiro, local escolhido para ser a capital do Império Luso-Americano.

Para o Brasil, que no período era colônia portuguesa, esse fato representou o fim de muitos entraves políticos, econômicos e sociais impostos por Portugal. Não que houvesse a intenção do governo português em liquidar o sistema colonial, mas as medidas necessárias para fazer da cidade do Rio de Janeiro a capital do Império Lusitano afrouxaram bastante os laços coloniais.

Uma das primeiras medidas realizadas por D. João VI foi a abertura dos portos brasileiros às nações amigas, que eram representadas principalmente pela Inglaterra. Também foi incentivada a produção de alguns produtos manufaturados, como tecidos e ferro. Além disso, foi criada a Biblioteca Real (com os livros trazidos da própria biblioteca real portuguesa); foi instituído o primeiro Banco brasileiro e a Imprensa Régia – importante, já que no Brasil colônia era proibida qualquer forma de imprensa. Foi organizada a primeira Academia Militar, não apenas para formar oficiais do exército, mas também para a educação de engenheiros, geógrafos e topógrafos que pudessem dirigir obras públicas. Com essas medidas, o Rio de Janeiro foi transformando-se e aos poucos ganhando diversas características européias.

As mudanças promovidas pelo governo de D. João VI durante os 13 anos em que fez do Rio de Janeiro, e do Brasil, o centro político do Império português colaboraram para a emancipação política brasileira, ocorrida em 1822. A estadia da corte no país e o modelo administrativo implantado criaram as bases para a construção do Estado brasileiro.


 
1. Don João VI, por Charles Simon Pradier
2. Rainha Carlota Joaquina, por Jean-Baptiste Debret.
 
3. Quinta da Boa Vista ou Palácio de São Cristóvão, por Jean-Baptiste Debret.
 
4. Funcionário do governo e sua família, por Jean-Baptiste Debret.
 
5. Retorno da família real para Portugal, por Jean-Baptiste Debret.

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