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Somos peregrinos porque saímos de um ponto quando nascemos e o processo natural de viver nos conduz a outro ponto. Dito de outro modo, vivendo nos tornamos peregrinos da vida. O filósofo alemão Martin Heidegger, embora não lhe agradasse ser chamado de existencialista, fez profundas reflexões de natureza existencial. Sobre este “caminhar” nos dizia que, quer nos apercebamos ou não, no ato de existir estamos nos dirigindo para o fim da linha. Sob este aspecto do caminhar, quando nascemos já começamos a envelhecer e nos dirigir para a maturidade cumprindo nosso desiderato. Este “percurso” o filósofo cognominou de o ser para a morte. É possível que a idéia era de que quando nascemos começamos a caminhar para a morte, o que não deixa de ter, sob esta ótica, procedência. Embora a morte seja apenas uma transição de um plano de existência para outro, sob a perspectiva humana, saímos de um ponto e estamos “caminhando” em direção a outro. Aqui cabe a pergunta: e o caminhar? Como realizá-lo? Como encarar a vida para que ela seja plena e cumpramos o nosso papel? Normalmente, alteramos o foco e tal qual o peregrino de Santiago de Compostela, só queremos chegar ao ponto idealizado sem nos determos como estamos percorrendo o caminho. Com “como” , queremos dizer: com qual qualidade de vida estamos vivendo. Aí é que está o ponto central da reflexão: caminhar é fazer caminhos e o como fazemos é tão ou mais importante do que chegar. Já ouvimos que o melhor da festa é esperar por ela. Melhor do que a própria festa. Significa que o mérito está em como caminhamos, com que grau de realizações vivenciamos o meio da jornada. Em outras palavras, com que nível de consciência percebemos a gratuidade da vida. Com efeito, ser virtuoso é procurar ser feliz mantendo nossos valores fundamentais. Neste sentido, somos todos companheiros de jornada, sobretudo se vivemos sob os mesmos ideais que tornam semelhantes as nossas vidas, isto é, atentos ao agora e com os olhos no futuro. Afinal, não somos corpos, almas viventes é o que somos... Portanto, ser companheiro de jornada é saber que não nos dirigimos para o “fim”, mas para um constante reinício, porque a morte não existe, a vida é eterna e comungar da idéia de que o caminhar é essencial, é valorizar o dom da vida como princípio da oferta do Amor Divino por nós. Quando lhe questionarem: por quem os sinos dobram? Lembre do poeta, eles dobram por ti ... Que possamos viver com Sabedoria! Que assim nos ajude Deus ! Hélio de Moraes Marques |
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