Um Novo Humanismo

Dignos visitantes

Saudações Rosacruzes!
Na mensagem anterior, publicamos a “Carta aberta aos Cidadãos e Cidadãs do Mundo”, escrita pelo frater Serge Toussaint, Grande Mestre da Jurisdição de Língua Francesa. Pela importância do assunto, nesta semana publicamos um excerto da correspondência que acompanhou a carta, para que os Rosacruzes e visitantes de Língua Portuguesa possam dela tomar conhecimento.

“Neste momento de crise, pareceu-me oportuno reforçar nossos valores e tornar ainda mais amplamente conhecida a visão que os Rosacruzes têm do mundo atual. Naturalmente, redigi aquela carta-aberta de pleno acordo com o frater Christian Bernard, Imperator de nossa Ordem. Devo esclarecer também que ela foi incluída no nosso site na internet. Se gostarem do conteúdo, sugiro que a divulguem da forma mais ampla possível, fazendo ou não referência ao fato de pertencerem à AMORC.
Vamos então passar ao ponto seguinte da Utopia Rosacruz:


“Existe um Governo Mundial formado pelos dirigentes de todas as nações,
que trabalha pelo interesse de toda a humanidade”.

À medida que foi evoluindo e se desenvolvendo, a humanidade foi se dividindo em uma infinidade de povos, reinos, principados, países, estados, nações etc., cada qual dirigido por governantes de tipos bem diferentes, desde as democracias mais avançadas até as ditaduras mais duras, passando por monarquias absolutas ou contrárias à tendência constitucional. Durante séculos, essas ‘comunidades’ foram adversárias em inúmeras guerras, selaram alianças de duração variável, tentaram se dominar mutuamente, conheceram o apogeu e o declínio etc. De modo geral, este foi por muito tempo o reino do ‘cada um por si’, tendo por pano de fundo o desejo não reprimido de conquistar, colonizar, anexar etc., a fim de alcançar sempre mais poder e de exercer a hegemonia sobre os outros. Nesse aspecto, podemos dizer que a história da humanidade tem sido construída pela divisão e pela oposição, o que explica o fato de ela ainda estar fracionada de forma tão singular. Atualmente, existem cerca de 260 estados-nação espalhados por todo o planeta.

Como sabem, inúmeras guerras dizimaram povos e mergulharam o mundo no caos e na barbárie, com todos os sofrimentos atrelados a isso. Num passado recente, as duas guerras mundiais - de 1914-1918 e de 1939-1945 - tiveram um efeito tão devastador sobre as pessoas e sobre os bens, que geraram uma tomada de consciência quase generalizada quanto à necessidade de agir no sentido de que tais horrores não aconteçam mais. Isso se traduziu na criação da Organização das Nações Unidas (ONU), cuja sede fica em Nova York, nos Estados Unidos da América. Segundo sua Constituição e Estatutos, tem por objetivo assegurar a manutenção da paz e da segurança internacionais. Infelizmente, nos tempos atuais conta apenas com 192 nações, o que explica, entre outras coisas, porque enfrenta tantas dificuldades para realizar sua missão. Lembremos que diversas instituições humanitárias dependem dela, principalmente a UNESCO, cuja vocação principal é trabalhar internacionalmente a serviço da educação e da cultura.

Podemos, naturalmente perguntar: Por que a ONU não se constitui de todas as nações que existem atualmente? A resposta mais simples que se pode dar a esta pergunta é dizer que é porque existem razões históricas, geográficas, políticas, econômicas – além de outras - que impedem que isso aconteça. Mas, mesmo sendo esse o caso, pode-se dizer também que é principalmente porque a vontade de trabalhar a serviço da paz é insuficiente nos planos nacional e internacional. Em outras palavras, é porque o nacionalismo é ainda muito marcado e o internacionalismo, no sentido humanista e filosófico do termo, tem dificuldade para emergir na mente das pessoas. Para se convencer disso, basta pensar nos inúmeros conflitos causados por grupos que defendem uma ‘causa nacionalista’. Mas temos confiança no futuro, pois um número cada vez maior de pessoas pelo mundo todo está militando contra a guerra e, de modo geral, contra tudo o que causa dano à dignidade e à integridade dos homens, sejam eles quem forem.

No estado atual de sua evolução, o ser humano tem a tendência a rejeitar indivíduos que não sejam de sua raça, de sua etnia, de seu país, de sua cultura, de sua religião etc. Essa tendência se deve ao fato de que, enquanto não se atingir um nível de consciência suficientemente elevado, o ser humano age e reage impulsionado pelos aspectos mais exclusivos de seu ego, preocupando-se basicamente com seu próprio bem-estar e com o bem-estar dos mais próximos. Considerando que cada povo é formado pelo conjunto dos cidadãos que o compõem, existe uma tendência decorrente a rejeitar os outros povos ou a viver em detrimento deles. É por isso que toda nação tem uma tendência a privilegiar seus interesses e a acreditar ou a se considerar superior aos outros em um ou outro domínio. É aí que está a fundamentação do nacionalismo no que existe de mais radical. Contudo, tanto os indivíduos quanto os povos evoluem com o tempo, e se constata que, gradativamente, eles vão sendo levados a ter consideração pelos outros, a aceitarem as diferenças e a se abrirem para o mundo.

Em virtude da globalização, todos os países se tornaram interdependentes, de sorte que nenhum deles, por mais vasto e poderoso que seja, por mais limitado e fraco que seja, consegue mais prosperar sem se preocupar com o desenvolvimento dos outros. Em termos rosacruzes, diríamos que seus respectivos carmas estão imbricados e se confundem com um carma coletivo único, o que marca uma etapa muito importante na evolução da humanidade. De qualquer forma, o mundo se tornou um único país, o que torna necessário estabelecer aos poucos um governo mundial. Naturalmente, o advento de um governo como esse se inscreve numa perspectiva a bem longo prazo, pois só poderá resultar de uma evolução gradativa das consciências, tanto no nível dos governantes, quanto dos governados. De fato, virá o dia em que a imensa maioria dos homens compreenderá que eles formam uma única família de almas e que sua missão principal é instaurar na Terra uma autêntica fraternidade universal.

Como devem saber, a ONU tem um Conselho de Segurança que tem função de órgão executivo. Atualmente, conta apenas com cinco membros permanentes: os Estados Unidos, a Rússia, a França, o Reino Unido e a China. Novamente, podemos apenas lamentar este estado de coisas, pois revela um evidente desequilíbrio. O governo mundial que a Utopia Rosacruz menciona em suas intenções será representativo de todos os estados-nação do mundo, independentemente do número de habitantes, extensão, poder econômico, antiguidade etc., em outras palavras, será formado por todos os dirigentes, e cada um deles terá os mesmos poderes, os mesmos direitos e os mesmos deveres. Portanto, não se falará mais de Estados Unidos da América, de Estados Unidos da Europa, de Estados Unidos da África etc., mas de Estados Unidos do Mundo. No entanto, cada estado desta União conservará sua autonomia na gestão de suas questões políticas, econômicas, sociais..., mas sempre dentro de um espírito de diálogo e cooperação com os outros. Poderemos falar então de uma ‘mundocracia’ a serviço de toda a humanidade.

Quando as consciências e as mentes tiverem evoluído ao ponto de tornar possível colocar em prática um governo mundial, poder-se-á pensar que a grande maioria dos estados-nação serão democracias plenas e esclarecidas: os políticos serão filósofos inflamados de humanismo e de espiritualidade; que a sociedade em geral repousará sobre um equilíbrio perfeito entre os direitos e os deveres de cada um; as leis serão a expressão de uma ética fundamentada no respeito por si mesmo, pelos outros e pelo meio-ambiente; todas as instituições estarão a serviço do bem comum; existirá um direito de ingerência internacional, de tal sorte que nenhum estado poderá prejudicar nenhum outro nem agir contra o bem-estar de seus próprios cidadãos. De modo geral, o mundo conhecerá o ‘reino da unidade na diversidade’ e será palco da sociedade ideal. A humanidade como um todo terá sucesso em sua mutação e estará bem direcionada para a reintegração. Portanto, ela terá absorvido a idéia de que sua presença na Terra não tem outra finalidade além da de evoluir espiritualmente e de encarnar a consciência cósmica, tanto no plano individual quanto no coletivo.”

Até a próxima Semana.
Que assim nos Ajude Deus!

Hélio de Moraes e Marques
Grande Mestre