Ordem Rosacruz
Uma Antiga Sabedoria para um Mundo Novo

A água é coisa comum

179

Devido a ser a água, provavelmente, a substância química simples mais importante do mundo, as pessoas têm sempre buscado novos meios para usá-la, melhorá-la e compreender exatamente o que ela é. Os antigos egípcios usavam amêndoas trituradas para purificar e tornar agradável a água barrenta dos rios, e os hindus, segundo uma pedra tumular com inscrições em Sânscrito, recomendavam mergulhar sete vezes na água um pedaço de cobre quente para que ela adquirisse “um novo sabor, maravilhoso e diferente”. Usa-se adicionar cloro à água para matar as bactérias e flúor para reduzir a cárie dentária.

Aristóteles, em 335 a.C., tentou explicar a natureza da água, em sua Teoria da Maté­ria. Segundo ele, toda substância era uma combinação de quatro elementos básicos: Fogo, terra, ar e água. Esta ideia manteve os alquimistas ocupados durante séculos, tentando transmutar metais comuns em ouro pelo reajuste de seus “elementos”. Todavia, eles não tiveram grande sucesso porque nenhum deles foi capaz de decompor uma substância para verificar quanto continha de fogo, terra, ar e água. Somente no século 18 é que os cientistas determinaram que o ar, a terra e o fogo não eram realmente elementos e, em 1781 um químico britânico provou que a água também não o era.

Naquele ano, Joseph Priestioy Priestley fez uma mistura de ar e hidrogênio em um frasco como “um mero experimento fortuito para entreter alguns amigos filosóficos”. Ele notou, com interesse, que a explosão fez com que houvesse condensação de umidade no interior do frasco. Prosseguiu com o experi­mento até ficar convicto de que a umidade era produzida pela reação do ar e do hidro­gênio, provando, desse modo, que a própria água era composta de outras substâncias químicas e não um elemento básico.

Em 1783, o químico francês Antoine Lavoisier, aperfeiçoando o experimento de Priestley, descobriu que a água composta não era o resultado da mistura de hidrogênio com o ar, mas com o oxigênio do ar. Experi­mentos posteriores revelaram que uma molécula de água continha dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio, combinação química que originou a fórmula H2O.

A descoberta de que a água era H2O ou monóxido de hidrogênio, provocou mais dúvidas do que as que esclarecia, pois os químicos compreenderam que a despeito de sua aparente simplicidade a água é, real­mente, uma substância muito enigmática e paradoxal, que dá a impressão de contrariar as leis da química. Ao contrário de outros líquidos, a água requer grande intensidade de calor para elevar sua temperatura mesmo uns poucos graus e tão logo aquecida, des­prende o seu calor lentamente.

Essa propriedade de “armazenar” o calor permite à água modificar o clima do mundo. Os oceanos não se aquecem tão rapidamente quanto os litorais que banham, nem se arrefecem no mesmo espaço de tempo. Assim, nas áreas litorâneas o inverno é me­nos rigoroso e o verão mais moderado do que nas regiões do interior. Bismarck, na Dakota do Norte, por exemplo, tem uma temperatura média de -13º C em janeiro e 21º C em julho, enquanto que Seattle, Washington, na mesma latitude, tem tempe­raturas médias de 5 e 18 graus para os mesmos dois meses.

Líquido, sólido,gasoso
A água é a única substância encontra­da abundantemente em todos os estados natu­rais: líquida, sólida e gasosa. Ao passar de um para outro estado, determinadas peculiari­dades se tornam evidentes. Uma das mais paradoxais é a de que quando se transforma em sólido, dilata-se e se torna relativamente mais leve para o seu volume. Outras substân­cias, com exceção do bismuto, contraem-se ou se condensam tornando-se, assim, relati­vamente mais pesadas.

Se a água se condensasse ao tornar-se gelo, o mundo teria sérios problemas. Tornando-se ela mais densa e, portanto, mais pesada do que quando no estado líquido, o gelo se formaria no fundo de um lago e da­li, amontoando-se para a superfície, destruiria toda a vida marítima. Protegido de grande parte do calor do sol, abaixo da superfície, o gelo se derreteria muito pouco na primavera e eventualmente os rios, lagos e mares nas regiões mais frescas do mundo tornar-se-iam gelo sólido.

O mundo teria ainda maiores proble­mas de temperatura se não houvesse vapor d’água no ar para absorver o calor do sol durante o dia e para retê-la durante a noite. As horas do dia seriam terrivelmente quentes e o anoitecer traria temperaturas glaciais. Nos Estados do sul, onde as colheitas de inverno são produzidas, os fazendeiros temem as noites frias, secas e claras, por essa mesma razão. Sem nuvens e ar úmido para agir como isolante, o calor da terra rapidamente se desprende permi­tindo que a temperatura se torne extraor­dinariamente baixa, arrui­nando, muitas vezes,os frutos cítricos e as plantas delica­das com a geada.

A maneira peculiar de expansão da água quando congela confere-lhe, ainda, um outro papel importante, porém pouco conhecido na agricultura. Pelo fato de se acumular nas pequenas fendas das rochas, ela gradual­mente chega a fragmentá-las no pro­cesso alternado de congelamento e desconge­lamento e participa, desse modo, no lento processo de desagregação que reduz as rochas em terra.

A água não somente se recusa a obedecer às normas usuais da conduta química quanto ao congelamento e liquefação, mas algumas vezes também se opõe mesmo às suas pró­prias normas. Por exemplo, ela pode ser resfriada abaixo de seu ponto de congela­mento de 0º C, sem congelar. Se for mantida absolutamente parada, congelará instanta­neamente. De modo idêntico, ela pode ser aquecida acima de seu ponto de ebulição de 100º C, sem se transformar em vapor. Em testes de laboratório a água tem sido aque­cida até 193º C. Quando finalmente atinge o ponto de ebulição, todavia, ferve com inten­sidade explosiva.

A solvibilidade da água confere-lhe uma outra propriedade incomum. A maioria das pessoas considera a água como um bom condutor de eletricidade, porém, na verdade, ela é o contrário e um bom isolante. Quan­do alguém que esta na água recebe um choque, não é a água que conduz a eletri­cidade, mas as impurezas nela dissolvidas. A água pura não transmite corrente, porém é um solvente tão bom para outras substân­cias que qual­quer superfície úmida é geral­mente um bom condutor.

A propriedade da água para dissolver a maioria das substâncias a torna um líquido altamente corrosivo; não obstante, ela não somente é inócua para plantas e animais, mas essencialmente necessária à sua vida. Ela participa de todos os processos do corpo, lubrifica as juntas e é a chave do sistema de arrefecimento que mantém a máquina humana na exata temperatura de funcionamento. Na verdade, o corpo humano se compõe de aproximadamente 60 por cento de água, e uma pessoa bebe cerca de 20.000 galões do líquido em uma existência média.

O oxigênio e o hidrogênio, partes com­ponentes da água, são interessantes em si mesmos. O oxigênio é um gás incolor, inodoro, insípido e sem dúvida o elemento mais abundante. Praticamente, pode-se combinar com quase todos os demais ele­mentos. Oxigênio compõe 21 por cento do volume da atmosfera, cerca de 90 por cento do peso da água e aproximadamente metade do peso das rochas na crosta externa da Terra. A circunstância de favorecer tanto a respiração quanto a combustão, torna-o a principal fonte de energia do mundo.

Hidrogênio
O hidrogênio, também um gás. É o mais leve e simples de todos os elementos. O átomo de hidrogênio comum contém um único próton e elétron, o que o coloca em primei­ro lugar na tabela atômica de elementos. Por ser um gás muito leve foi, em determinada época, muito usado em balões, todavia, como era muito inflamável e deu causa a várias explosões desastrosas, os balões hoje em dia são cheios com hélio neutro.

O hidrogênio, contudo, não é realmente o elemento simples que se imaginou ser em determinada época e devido a isto os cientistas fizeram uma outra surpreendente descoberta a respeito da água, cuja fórmula química nem sempre é H2O. Em 1934, o químico americano Harold Urey descobriu uma nova espécie de água que continha deutério, um tipo especial de hidrogênio. Em vez de conter o próton e nêutron normal um átomo de deutério também contém um nêutron, o que quase dobra o seu peso atômico.
Assim, a água composta de deutério e oxigênio é chamada de “água pesada” e recebeu símbolo D2O. A água pesada existe na água comum na proporção de cerca de 1 a 7.000 ou, aproximadamente, uma onça em cinquenta galões e tem pontos de congela­mento e ebulição ligeiramente mais elevados. Tem provado ser extremamente valiosa nas pesquisas atômicas como moderador para retardar as reações nucleares em série pela absorção dos nêutrons livres que provocam uma série contínua de reações.

Curioso é que as sementes não brotam em água pesada e os ratos preferem morrer de sede do que bebê-la. De conformidade com relatório publicado no jornal soviético Izvestia, o biofísico Boris Rodymov conse­guiu fazer com que “porcos engordassem, vacas produzissem mais leite e galinhas pusessem ovos maiores e em maior quanti­dade” dando-lhes de beber apenas neve derretida, que contém menos D2O do que a água comum.

Depois que os cientistas se convenceram da existência de duas qualidades de água, os pesquisadores descobriram uma terceira qualidade. Tratava-se da água “super pesa­da”, contendo trítio, que se compõe de um átomo de hidrogênio com dois nêutrons adicionais em seu núcleo. O óxido de trítio é extre­mamente raro, havendo apenas uma parte em um trilhão de partes de água comum. O trítio é radioativo e importante na fabricação de armas de hidrogênio e nas pesquisas atômicas.
Outras descobertas com relação à água têm sido bastante curiosas: o trigo pode apresentar os efeitos produzidos pelas geadas quando a temperatura é de 4ºC, quatro graus acima do ponto normal de congelamento da água. As tubulações de gás natural podem ficar entupi­das com uma “neve” lamacenta contendo água, muito embora o gás natural seja praticamente insolúvel na água. Mais curioso ainda é que gases neutros como o argônio e o criptônio, que não reagem quimicamente, podem algumas vezes combi­nar-se com a água para formar algo que se assemelha a um composto químico.

Assim, a água parece ter uma quantidade ilimitada de surpresas para os químicos e outros cientistas que com ela trabalham. Bastante comum e simples quando Joseph Priestley divertiu seus amigos com a explo­são de hidrogênio em um frasco, a água nem sempre tem si­do a mesma desde então.

Fonte: Revista “O Rosacruz” – 3º Trimestre – 2010