A Busca da Paz Profunda

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    A Paz Profunda não é necessariamente silêncio, mas um estado de existência, animado pela consciência do mais importante “Eu existo”. A Paz Profunda, à semelhança do amor, é uma energia silenciosa na base das inúmeras manifestações que percebemos ao nosso redor. Poder-se-ia chamar a essas manifestações de Paz Profunda.

    A natureza expressa Paz Profunda em suas florestas, nos galhos que se lançam uns para os outros, formando assim a catedral da natureza. As árvores, sussurrando um coro harmônico, tocam a essência do homem e fazem com que ele duvide do seu domínio sobre o seu mundo.

    O arroio murmurante, serpenteando entre as pedras e emitindo arco-íris, lembra ao homem a felicidade do momento. Ele traz à mente a recordação de tempos idos, das jornadas ainda a serem empreendidas e dos distantes lugares que ele gostaria de visitar.

    As nuvens que bailam no azul do céu impelidas pelas brisas tépidas do verão, a reação rítmica das ervas nos prados, reanimam os sonhos da juventude e levam o homem a uma resolução: jamais se deter na tentativa de tornar seus sonhos realidades.

    Quando observamos uma criança adormecida, a sensação de contentamento expressada em suas feições traz à nossa mente o milagre da vida. Perguntamo-nos, então: “Que há mais além do mistério da vida? ”

    Começamos a perceber a dualidade do homem, em sua constituição. Essa percepção traz à mente a admoestação: “Homem, conhece-te a ti mesmo”.  Tendo expressado o reconhecimento do Eu no homem, a semente da consciência começa a germinar. As indagações tornam-se uma meta, e o homem reflexivo começa a expandir sua consciência à medida que percebe a resposta.

    Todos os dias, a vida adquire um novo significado à medida que o homem se torna mais observador dos acontecimentos na aventura cotidiana da existência. A percepção acentuada das alegrias e tristezas de seus amigos e associados começa a se fazer sentir e o homem compreende que realmente se preocupa com aquilo que acontece ao seu semelhante. Apercebe-se de que a passagem da observação para o envolvimento é uma progressão natural e que a reação de um para com o outro tornou-se ativa. Convence-se, ainda, de que tendo dado de si mesmo, seus amigos e associados tributaram-lhe a maior honra ao partilhar com ele seus mais íntimos pensamentos.

    Ao tocar um outro homem, o homem tocou em si mesmo. O homem interior apresentou-se e foi reconhecido pelo homem como expressão de sua dualidade. A busca de expressão criativa deve ser por ele mesmo feita. O homem, todavia, jamais fica sozinho, tão logo tenha estabelecido contato com o Eu interior.

    Uma vez que o homem expandiu sua consciência, já sentiu a harmonia da vida. O Círculo exterior de Paz Profunda proporcionou-lhe sensação de bem-estar e intensificou também o desejo de maior conhecimento.

    Os momentos com a natureza podem então recorrer com maior intensidade e compreensão. Podemos isso apreciar agora, não apenas pela expressão, mas buscando a energia na base da manifestação e aplicando-a à nossa indagação.

    Podemos verificar que a Paz Profunda é semelhante ao centro do furacão: calma, silenciosa e, não obstante, cheia de poder. As ondas de energia, propagadas, criaram uma expressão que pode ser sentida e percebida pelo homem mortal. No entanto, a fonte é percebida pelo homem divino, o Deus Interior.

    Paz Profunda é a energia que transmuta o conhecimento em sabedoria e estimula as aplicações que transformarão o pensamento em ação. É a libertação do homem da cruz da vida para expressão da alma vivente, em harmonia com o infinito. Sentimos, então, a essência da imortalidade em todos os homens. Ao tentarmos isolar seu encadeamento, compomos a estrutura de nosso caráter para que a expressão real possa existir.

    Não apenas tomamo-nos conscientes e uma parte de todas as manifestações; tomamo-nos conscientes das causas que originaram a expressão vivente. O coração foi de tal modo tocado que o Eu pode proclamar:  Acalma-te, e sabe que eu sou Deus!

    Hyllis F. Buell, FRC