A Estimulação da Natureza

Harvey Spencer Lewis – abril de 1937

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“Levanta-te, minha amada, formosa minha, vem a mim, Vê o inverno: já passou! Olha a chuva: já se foi! As flores começam a aparecer na Terra, O tempo do canto dos pássaros está chegando, E o arrulho da rola já pode ser ouvido.” – Cântico dos Cânticos, 2:10-12

Como a primavera é linda! Quanta promessa e quanta esperança ela contém! Quando retira a máscara da tragédia, a vida revela seu aspecto radiante de amor, de alegria e de beleza. Toda a natureza nos ensina a nos alegrarmos. Somos testemunhas de um renascimento da natureza, da encarnação das árvores e das flores – de uma nova promessa. A vida nos incentiva sempre. O fato de a vida ser encorajadora prova que o universo é amigável.

“Amigável?”, pergunta você com surpresa, pensando nos conflitos e nas revoluções que acontecem em tantas partes do mundo. Sim, repito, o universo é amigável porque cabe a nós governá-lo. As leis que o governam são imutáveis. A resposta é invariável. É como um automóvel magnífico muito poderoso ou uma peça de um mecanismo complicado que nos prestam serviços maravilhosos uma vez que aprendemos a utilizá-los convenientemente e a prestar atenção neles de maneira adequada. É como acontece com nosso corpo. Que alegria suprema um corpo saudável, flexível e belo pode nos dar! Mas quanto conhecimento e quanto esforço são necessários para cultivar e manter a graça, o vigor e a força! O mundo é mais que uma simples máquina. É um elemento de beleza e uma fonte de inspiração e de alegria perpétuas. Segundo as palavras de Goethe, nosso corpo é “a veste do Deus Vivo, tecida no tear do tempo”. Na natureza, o artista, o poeta e o sábio encontram um alimento perpétuo. Ela descansa aquele que está cansado e tranquiliza o inconsolável; cura o doente; propicia uma cena viva e um pano de fundo no panorama da vida.

O primeiro dom da vida é a lei do amor, que é a lei suprema do universo. Não há nada no mundo mais magnífico que o amor. Exatamente porque o amor existe é que a vida vale a pena ser vivida sempre. O amor é uma transfiguração. As tarefas mais sórdidas se tornam sublimes quando o amor entra em cena. A mãe envolve seu filho de amor e esquece as dores por que passou. O amor suscitou todas as realizações e todos os atos heroicos. Aquele que não passou pela experiência do amor é verdadeiramente pobre. O que importa a pobreza do presente? O que importam as provações e as tribulações do passado? O amor, como o arco-íris, projeta sua beleza sobre todas as coisas.

A força do amor

A amizade entre Davi e Jônatas se tornou imortal na literatura. Durante catorze anos, Jacó serviu a Labão para merecer sua filha Raquel; Emily Sedwick esperou vinte anos pelo poeta Tennyson. O grande ensaísta inglês Charles Lamb dedicou sua vida à sua irmã Mary, quando ela foi tomada por crises de loucura. O interesse brilha em nossos olhos quando ouvimos pronunciar os nomes de Romeu e Julieta, de Tristão e Isolda, de Paolo e Francesca – os amantes mais famosos do mundo.

O amor! “Ah, doce mistério da vida, pelo menos eu o encontrei… É o amor, e apenas o amor, que o mundo procura”. Ele não ouve o dinheiro. Ele não se comanda. É um atributo de Deus. Quando a vida tem um dom tão maravilhoso a oferecer, pode ela alguma vez perder seu sabor e seu charme? Esse dom está à nossa disposição – será que alguém está privado dele? Não, meus amigos. Basta que vocês ouçam seus corações e Deus os inundará com uma corrente tão poderosa que vocês tocarão o alto dos Céus no mais divino êxtase e felicidade. Não temos necessidade de suspirar diante do sonho de amor dos jovens porque a amizade pode pertencer a quem a saiba ver. Isso pode parecer uma afirmação bem banal, mas uma grande amizade se conquista e não se ganha como um prêmio de loteria. Falo de alegrias que todos podem alcançar.

Ainda mais sublime que a amizade, há um amor que se irradia a serviço do mundo. É o amor que você dá e não o amor que você recebe que transforma sua personalidade. Como diz com grande propriedade a poetisa americana Sara Teasdale:

“O que te dou, a ti
Que me amas profundamente e há tanto tempo?
Que nunca deu asas à minha mente,
Nem deu a meu coração uma canção?
Mas, oh! a ele, que amei,
 Que jamais me amou,
Dou a pequena porta
Que atravessa a parede dos céus.”

Todos aqueles que não têm amor na vida podem encontrar uma alma solitária, decepcionada, para derramar seu amor desmedido, divino, sem pensar em retribuição ou recompensa. Não pense nem por um instante que seu amor está perdido. Quem ama divinamente faz de Deus seu devedor. Que prêmio mais elevado o universo pode lhe oferecer? Cada um de nós pode encontrar uma obra, uma causa a servir para uma elevada dedicação da alma – para servir porque assim o desejamos, porque assim acreditamos, porque queremos ser uma pedra na construção do templo e um soldado a mais no glorioso exército de nossos sonhos.

A força do momento

Nesta magnífica estação, quero de todo o meu coração partilhar com vocês o amor e a alegria que enchem meu ser. Desejo que vocês sintam seus corações mais leves, suas almas em paz, seu desejo de viver mais forte, sua determinação de fazer e ousar mais firmes, sua confiança em si mesmos e no trabalho de nossa tão amada Ordem inabalável. No Bhagavad-Gita, Krishna diz ao trêmulo Arjuna que se esquivava da batalha: “Por que todo esse medo? A vitória é tua. Entra na batalha e luta.”

Diz-se que o momento mais sombrio é aquele que precede a aurora. Vocês podem estar nesse momento decisivo em suas vidas. Seus rostos estão voltados para o oeste e está bem escuro. Tudo o que conseguem ver são as tempestades do inverno, que agora passou. Voltem-se para o leste e para a luz do sol nascente. Os Senhores da vida estão no portal, trazendo os dons do amor, da paz e da alegria – os dons que são o ponto culminante de seus próprios esforços. O amanhã pode trazer grandes realizações.