A Herança Espiritual do Egito Antigo

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O Egito histórico apareceu por volta de 3.200 antes de Cristo e desapareceu, como entidade cultural independente, por volta de 337 depois de Cristo. São portanto, aproximadamente, 3.500 anos da história de uma parte da humanidade que se ocultam ou se revelam através dessa civilização da Antiguidade. Um decreto do imperador romano Teodósio I, no quarto século depois de Cristo, proibindo a prática dos ritos pagãos e impondo o cristianismo como religião em todo o império, pôs um fim definitivo à cultura faraônica. Com efeito, o ensino de todas as disciplinas do conhecimento e em particular o da língua que constitui seu esqueleto, era praticado exclusivamente no interior do Templo egípcio. Esse Templo, verdadeira escola, era portanto a fonte única, o guardião exclusivo, o único dispensador do saber acumulado por muitas gerações. Ao fecharem os templos de pedra, sedes do Templo como instituição, os romanos cortaram o elo físico que vitalizava aquela civilização. Eles separaram a árvore de suas raízes, condenando-a a uma morte provocada pelo esgotamento da seiva nutridora.

Veremos neste livro como a história e o mito se misturam intimamente e muito freqüentemente se confundem. Para tentar desembaraçar esse novelo, recorreremos a todas as fontes disponíveis, sem rejeitar nenhuma delas a priori. Com efeito, os escritos religiosos dos antigos egípcios veiculam imagens simbólicas inacessíveis à razão pura. Essas imagens só podem se revelar ao homem à luz da intuição, pois procedem de uma outra lógica. Recorreremos portanto às fontes das Tradições esotéricas que perpetuam, geralmente de maneira alegórica, grandes princípios naturais e às vezes até profundas verdades históricas. Não hesitaremos em confrontar os conhecimentos da egiptologia científica com o das narrativas tradicionais. Veremos, inclusive, que muitas vezes essas duas abordagens se esclarecem mutuamente e se completam harmoniosa­mente. A ciência se apoia em fatos que analisa com perspicácia. A Tradição, pelo meio indireto do símbolo ou da alegoria, estimula a compreensão intuitiva e favorece uma visão sintética, global.

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