Cura para a solidão

    Margaret Ross, SRC

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    A solidão é um dos mais opressivos testes que o Ser humano pode enfrentar, e uma das mais torturantes experiências. Podemos ter de passar por inúmeros outros sofrimentos: aflição e perdas, choque e dificuldades que sobre nós se abatem de uma ou de outra maneira. Não obstante, parece-nos que não temos uma fonte secreta de proteção contra a pungente desolação que chamamos de solidão.

    Solidão é aquela influência triste que passa sobre nós, deixando-nos desolados como se um vento árido nos tivesse ressequido. É aquela perda de contato com tudo que normalmente dá sentido à vida. É aquela cegueira da alma em que bradamos para as trevas exteriores, mas não recebemos nenhuma mensagem.

    Realmente, ela sobre nós se abate, mais cedo ou mais tarde. Ricos ou pobres, jovens ou velhos, alegres, brilhantes ou tristonhos com o desapontamento, todos nós teremos de sentir essas sombras; todos nós teremos de sentir o abandono que delas advém. Não obstante, não estamos abandonados, e se tivermos sido preparados de modo adequado seremos suficientemente fortes para esses embates com a solidão.

    Que significa estarmos suficientemente preparados? Significa que devemos estar preparados para saber que a solidão não é um estado mórbido ou doentio, mas uma condição que todos nós temos de enfrentar e podemos superar, um aspecto necessário da vida.

    A solidão e pessoas solitárias não são a mesma coisa. Conheci moradores de campo de mineração, de planícies e de desertos que só viam outras pessoas uma vez por mês; no entanto, eles se mostravam tão fortes e revigorados como o vento. Davam mostra de uma espécie particular de recuperação de forças. Haviam aprendido a viver sozinhos e isolados, a ser autênticos e a se valer dos recursos em seu interior.

    Somos, na verdade, “excepcional e maravilhosamente formados”. Para toda doença que nos ataque, temos um meio secreto de cura, se apenas nos dispusermos a usá-lo. Mas, qual a cura para a solidão? Reduz-se ela a sentar-nos para cogitar, para ruminar sobre a esterilidade do remorso e do desapontamento? É isto proteção contra a erosão lenta da solidão? E se não o é, então, qual a cura?

    A cura está em toda parte. Ela está na maneira de viver. Está em lutarmos contra influências desmoralizadoras, lançando-nos à vida; está em todos os olhos que fitamos; no abanar do rabo de todos os cães; na música sublime de todas as árvores; no canto alegre de todas as aves; no capim que brota entre as lajes; no riso de todas as crianças; na esperança. Quando uma pessoa está perturbada, acamada, ou arruinada de maneira espiritual ou material, a cura da solidão está na maneira de viver, de se tornar parte da vida, parte de toda a vida que brota ao seu redor. Nada deve tornar a alma aniquilada.

    Como tenho conhecimento dessas duras verdades?

    Delas tomei ciência por ter estado tão isolada que eu, também, tive de abrir caminho para retornar à luz. Técnicas de concentração, visualização, meditação e contemplação me foram tão importantes para vencer a inércia instalada que sugiro a todos que desenvolvam estas práticas.