Fotografias revelam o universo feminino de forma lúdica e mística ao mesmo tempo

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Exposição “De Perséfone a Catrina: a mulher e o seu divino” apresenta a beleza de um ser integral na sua imensa complexidade e perfeição.

Trabalhar o universo feminino envolve questões que vão além da esfera da beleza. Ser mulher é muito mais que isso! E essa é a proposta da exposição “De Perséfone a Catrina: a mulher e o seu divino”, de Aparecida Moreira Demarchi, fotógrafa, designer e professora de dança, que retrata em 15 fotos impressas em tecido de seda, as inúmeras mortes e renascimentos de uma mulher ao longo do seu processo de amadurecimento. A mostra fica aberta de 07 de agosto a 15 de setembro, no Espaço de Arte Francis Bacon, da Ordem Rosacruz – AMORC, com entrada franca.

Em suas fotos, Cida Demarchi procura mostrar a essência do ser humano e seus sentimentos com um olhar único, sem preconceitos, registrando momentos de alegria, ternura, drama e arte. Para ela as fotos significam sua própria experiência de vida. “Um depoimento, um desabafo, um gesto de amor a todas as mulheres que merecem ser felizes”, conta Cida. Ela apresenta nessa mostra questões para um momento de reflexão sobre o que realmente é belo, é jovem, é pleno, além de acreditar na força da arte como um meio questionador e instigante no desenvolvimento de seres mais livres e mais leves.

Para integrar a esfera colorida desta exposição, outros elementos compõem o Espaço de Arte Francis Bacon: um fotolivro que traz diferentes imagens e conteúdos relacionados ao conceito de cada personagem da exposição; um pequeno altar dos mortos, uma réplica do que se encontra na festa do “Día de Los Muertos”, no México; e um cenário onde o visitante poderá fazer uma selfie caracterizado de “Catrina”.

Cida Demarchi utiliza a morte como recurso de diálogo porque entende que neste processo de desenvolvimento humano não há volta, ou seja, uma vez dado um passo à frente, não se volta mais. Algo como morrer para passar por uma experiência para renascer para outra. Então, a morte aqui tem uma perspectiva altamente positiva de continuidade e esperança.

A fotografia chegou em sua vida no ano 2008 quando Cida se inscreveu em um curso de fotografia para incentivar uma pessoa que estava precisando recomeçar a sua vida profissional. “No entanto, neste curso, encontrei uma professora muito especial, a Lya Uba. Uma mulher completamente apaixonada pela fotografia. Fui contaminada imediatamente. A partir daí experimentei vários segmentos da fotografia até chegar ao tema que mais me encanta: o ser humano, trabalhado no retrato. Aos poucos fui costurando as várias questões que me chamam a atenção dentro desta temática”, conta Cida.

Ao falar do feminino em seu trabalho fotográfico, Cida Demarchi revela que a dança foi determinante para enveredar por esse caminho do empoderamento da mulher. “Nesta série eu retrato as inúmeras mortes e renascimentos de uma mulher ao longo do seu processo de amadurecimento”.  E não é à toa que a mulher é um caso especial dentro deste tema, porque ela recebe uma carga de responsabilidades e cobranças muito acima dos limites suportáveis. Ser mãe, mulher, profissional, jovem, alegre e feliz não é sempre possível. Não nos modelos que se impõe. “No estúdio de dança eu ouço muitos depoimentos e todos são uníssonos: mulheres infelizes porque não correspondem ao que se espera delas, ou o que elas acham que se espera. Vejo mulheres lindas se sentindo feias, mulheres jovens achando que o tempo já passou, mulheres muito competentes se sentindo inseguras”. Pensando nisso, Cida traz todas essas questões para um momento de reflexão sobre o que realmente é belo, é jovem, é pleno. “Eu não tenho a pretensão de mudar o mundo, mas acredito na força da arte como um meio questionador e instigante no desenvolvimento de seres mais livres e mais leves”, ressalta a fotógrafa.

Este ano o Espaço de Arte Francis Bacon realizou a primeira oficina de arte-educação para crianças com idade entre 6 e 10 anos. De acordo com a coordenadora do Espaço, Marcela Lobo, esse projeto já estava incluído nos planos para ser implantado, “pois a arte está alinhada com a educação para promover o desenvolvimento integral do ser”, explica Marcela. A ideia consiste em desenvolver uma oficina em cada exposição com parceria dos artistas na elaboração de uma atividade. De acordo com Marcela “trabalhar a educação no universo artístico é uma nova oportunidade para que as crianças aprendam uma nova atividade”,

Com a exposição “De Perséfone a Catrina: a mulher e o seu divino”, Cida Demarchi vai organizar a segunda oficina de arte-educação, no dia 23 de agosto, com um exercício que envolverá o universo fotográfico, “uma tarefa para causar uma sensibilização do olhar para a fotografia, utilizando a pareidolia como forma lúdica para despertar esse olhar”, finaliza a fotógrafa. A oficina é gratuita, mas com vagas limitadas. Inscrições por e-mail para cultural@amorc.org.br

 

Sobre Cida Demarchi:

Cida Demarchi é membro da United Photo Press, uma ONG que atua há 27 anos na divulgação da arte (fotografia, pintura e escultura) através de exposições em museus da Europa e dos Estados Unidos; vice-presidente para o Brasil e curadora para fotografia da International Zarco Academy of Arts e vice-presidente para o Brasil e curadora da IAPAJ – International Association of Plastics Artists in Japan.

Serviço

Evento: “De Perséfone a Catrina: a mulher e o seu divino.”

Data: de 07 de agosto a 15 de setembro de 2017

Local: Espaço de Arte Francis Bacon – Ordem Rosacruz (AMORC)

Endereço: Rua Nicarágua, 2620 – Bacacheri – 82515-260 – Curitiba, Paraná.

Entrada: Franca

Horário: de segunda a sexta-feira das 13h30 às 17h.

Acesse: Espaço de Artes Francis Bacon