Hoje é Amanhã

Por: Ruth Éboli, SRC

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HOJE – assim como no infinito ontem – o maior mistério com que se defronta a humanidade é o próprio homem. Procurando sempre a solução para os mistérios que a rodeiam, a humanidade encontrou alguns caminhos que a levam ao verdadeiro objetivo de sua busca, que é achar a solução do enigma até hoje sem resposta: “Por que estou aqui? Quem SOU EU?“

Os homens primitivos, de conhecimento limitado, sentiam medo, espanto e surpresa diante das grandes forças da natureza que agiam ao seu redor. Para eles, os efeitos dessa forças invisíveis provinham dos deuses, que deviam ser temidos e então aplacados.

A humanidade, à medida que foi subindo lentamente na senda, entre a ignorância e o conhecimento (evoluindo, portanto) compreendeu, em parte, as poderosas forças da natureza, e descobriu também que dentro de cada homem há uma força nova e misteriosa. Muitos julgaram que fosse a “força do desejo” que exigia uma vida dedicada a acumular riqueza material. Outros a denominaram “a voz da consciência” e levaram uma vida de sacrifício e penitência. HOJE descobrimos que essa força maravilhosa é o Deus de nosso Coração.

As ciências, artes e religiões nasceram todas do desejo da humanidade de desvendar o enigma da vida… da necessidade de alimentar essa fome interior que ardia continuamente. As ciências, artes e religiões eram as formas com as quais a humanidade revestia seus ideais invisíveis e suas concepções mentais. Ao dar-lhe forma, o invisível se tornava visível e tangível. Devido a esta expressão de seus mais elevados ideais, a humanidade tem se elevado a níveis cada vez mais altos. Estes níveis são a verdadeira história de cada raça, a auto-revelação dos mais elevados ideais de cada época. Os esforços incessantes da humanidade, desde os dias primitivos até os tempos modernos, não só tornaram visíveis seus próprios ideais de beleza nas artes, seus mais elevados conceitos na literatura e o idealismo de seu coração na religião, como revelaram algo daquela força invisível no interior do homem, a que chamamos espírito.

Não é maravilhoso constatar que, assim como o homem põe algo de seu ser intangível naquilo que cria, também o Criador põe algo de divino em todas as coisas criadas? É fácil observar isto nas criações dos pintores, escultores, escritores e em todas as obras daqueles que criam coisas belas e úteis para a elevação e uso da humanidade. Foi essa parte interior, que eles puseram, talvez sem saber, em suas obras, que caracterizou a técnica e o estilo de cada época. Estas são as formas externas com as quais revelaram os ideais interiores, do coração e da mente.

Este anseio criativo é parte de cada um de nós, e há uma certa alegria, que nada substitui, em reproduzir um momento fugidio de beleza que amamos. Uma rosa vive eternamente por que alguém pintou-a em uma tela, entalhou-a em madeira, bordou-a com linhas brilhantes ou cantou-a em linda poesia. Após executar um trabalho criativo, sentimos prazer em admirar o esforço criador e compartilhar dos ideais desses artistas.

O homem primitivo, cujo mundo estava confinado à pequena esfera de seu lar, satisfazia seus anseios criativos de arte cobrindo seu próprio corpo com desenhos estranhos. Para torná-los permanentes, às vezes, empregava pedras pontiagudas, ferindo seu próprio corpo. Mesmo atualmente, muitas tribos tatuam elaboradamente o corpo, o que se constitui em um ideal de verdadeira beleza. Embora pareça estranho, há ainda, em nossos dias, pessoas que tatuam no corpo figuras que, para eles, representam a beleza que podem compreender.

Os desenhos primitivos tatuados no corpo e pintados nas paredes de moradas rudimentares demonstravam o anseio interior de beleza, contido no coração do homem de ontem. Hoje, o homem moderno exprime de forma mais elevada os ideais secretos de beleza que concebe, fazendo prever que a magnífica arte de nossos dias prenuncia as tendências de maior e mais esplêndida beleza em nosso Amanhã, não só no campo das artes, mas, em todas as ciências.

Como membros da raça humana, estamos intimamente ligados entre nós e ao universo. As mesmas leis que regem nosso crescimento, se aplicam, embora de forma mais ampla, ao universo em que vivemos. Se, comprovadamente, o universo está se expandindo, a percepção humana também irá se expandir.

HOJE sentimos que a percepção humana já está se acelerando em direção ao AMANHÃ. A humanidade precisa, pois, acompanhar o ritmo da nova era, e cada indivíduo precisa encontrar seu lugar e a parte que lhe cabe nesse novo mundo.

Isto é cabalmente demonstrado pela necessidade de um tipo especializado de homem para operar aviões a jato e astronaves. O novo homem “supersônico” já enfrenta novos riscos nunca dantes conhecidos: suportar forças maiores do que a gravidade; calor acima do ponto de ebulição; mente capaz de decidir em frações de segundo; suportar ondas sonoras até então ignoradas.

Cada homem tem o poder de tornar-se senhor de si próprio e de seu ambiente, e sua mente é capaz de influir para que o AMANHÃ seja melhor do que o HOJE, com a cooperação indispensável da Inteligência Infinita.