Edgar Wirt, PhD., FRC

No primeiro dia da Criação, segundo a estória do Gênesis, havia somente luz, que não era específica. Três dias depois, no quarto dia, a luz transformou-se especificamente em Sol, Lua e estrelas, materializando e cumprindo o potencial de luz do primeiro dia. O segundo dia da Criação trouxe a separação entre a água e o céu (firmamento). Três dias depois, no quinto dia, surgiram criaturas vivas no mar e no céu, cumprindo o destino do mar e do céu que tinham sido criados no segundo dia. No terceiro dia da Criação, a terra foi separada da água e produziu vegetação. Três dias depois, no sexto dia, a terra foi povoada de vida animal e pelo ser humano, a quem foi concedido domínio. Isto cumpriu o propósito para o qual a terra e o alimento vegetal tinham sido criados, no terceiro dia.

Cada um dos três primeiros dias da Criação constitui um primeiro estágio, que se completa no dia correspondente dos últimos três – uma simetria sutil que facilmente passa despercebida. Quer dizer, a Criação, no Gênesis, ocorreu em duas etapas de três dias cada, sendo a primeira preliminar e, a segunda, concretizadora. Em termos de um triângulo (que é um símbolo favorito de criação ou manifestação) a finalidade da Criação, no Gênesis, percorre duas vezes o triângulo.

A estória do Gênesis tem ainda outras dimensões simbólicas. Dia após dia, nessa estória, vieram sucessivas diferenciações – a luz diferenciada das trevas, a água do céu, a terra da água, e miríades de diferenciações entre plantas, peixes, aves e animais, “segundo sua espécie”. Esse mesmo princípio de diferenciação está na raiz (e fornece uma espécie de previsão) de nossas modernas teorias de evolução planetária e de continuada evolução biológica.

Em mais uma aplicação do triângulo simbólico, a primeira etapa da Criação estabeleceu condições; a segunda introduziu fatores ativos nessas condições. Um princípio do triângulo consiste em que precisam estar presentes dois fatores como duas pontas do triângulo – uma condição responsiva e um agente ou uma força ativa – para que qualquer resultado ou manifestação surja como a terceira ponta.

A instrução hermética, em filosofia mística, está estruturada num triângulo, de tal modo que a progressão total, três vezes em torno do triângulo, deve completar o discernimento do indivíduo sobre todas as coisas do céu e da terra. Não obstante, no ápice completada a terceira volta, todas as pontas se fundem no UNO, no TODO.

Analogamente, duas voltas em torno do triângulo da Criação respondem por seis dias de criação, quando a obra da Criação ainda não estava concluída. O sétimo dia, o Sabbath, é a terceira volta que completarão em si mesma, o dia em que Deus “terminou Sua obra”. Cada um dos demais seis dias tem seu correspondente ou complemento. O Sabbath, em si mesmo, é unidade, e também completa e unifica todo o restante da Criação.

Uma velha estória rabínica salienta o padrão dual entre os seis dias da Criação pelo Senhor. Nessa mesma estória, o Sabbath queixa-se ao Senhor por não ter um companheiro, um dia correspondente ou complementar, como nos casos dos outros seis dias. O Senhor assegurou ao Sabbath que quando o ser humano acolhesse e honrasse o Sabbath, este estaria completo e realizado.

Isso pode ser entendido como uma sutil paráfrase da ideia não expressa de que, quando o ser humano acolher, aceitar e honrar (ou glorificar) sua divina fonte, então essa fonte será cumprida ou realizada; e, em sua imagem ou seu complemento, ela reconhecerá a si mesma pela primeira vez, porque pela primeira vez refletirá sua própria natureza.